Ah! Você quer? Pois fique querendo, pois querer e ficar esperando não faz mal a ninguém. Isso é um jeito de falar infantil, até malcriado, mas encerra uma grande verdade. “Querer não é poder” e conseguir o que se deseja depende de treinamento.

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O silêncio não é a condição natural dos homens e provavelmente não é a de outros animais. A audição é um sinalizador da aproximação do bem e também do mal; daquilo que nos faz aguardar ansiosos seja por algo desejado, seja por algo a ser evitado, seja por algo de que é melhor fugir. É pelo ouvido que nos alertamos de que é bom “dar no pé” depois de lançarmos mão também da visão. Ouvir avisa que é bom olhar.

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Não é de agora que me pergunto acerca do futuro profissional dos que hoje são jovens. Pergunto-me também sobre a importância de um diploma superior. A questão da profissionalização dos jovens está na ordem do dia há muitos anos. Há um quarto de século, cheguei a fazer algumas entrevistas, em profundidade, em torno das esperanças dos que cursavam Relações Públicas ou Relações Internacionais em faculdades locais. O único denominador comum que encontrei foi “glamour”. Os jovens estudantes imaginavam-se, futuramente, frequentando lugares bonitos com gente bonita. Era uma profissão escolhida não pela atividade a ser exercida, mas pela chave de porteira que levava a acontecimentos sempre descritos e fotografados glamourosamente pela mídia.

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Não consigo chegar na hora em lugar nenhum. Nem quando estou apaixonada. O que eu faço? Nem vou dar a dica de atrasar o relógio ou de mentir para si mesma, afirmando que o encontro é às quatro e meia, e não às cinco. Quem tem o vício de se atrasar precisa ser visto como um viciado, que dribla todos os recursos que têm o intuito de privá-lo do vício.

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Quando, em 1919, a pedagogia Waldorf foi introduzida por Rudolf Steiner em uma escola para filhos de operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória (daí o nome), fazia extremo sentido numa conservadora Europa, recém-saída da Primeira Guerra Mundial. Havia quase um milênio que escolas agrupavam alunos por idade. As crianças começavam juntas, mas logo uma ou outra ia ficando pelo caminho, vítima do sistema de reprovação. Foi assim até que, em dado momento, pareceu importante levar em consideração as diferenças. Aquela escola milenar a qual me referi tinha por função equalizar: com 7 anos todo mundo faz isso, com 14 faz aquilo, com 21, aquilo outro. Ter 14 anos significava fazer atividades concebidas para aquela idade, e assim por diante. Isso criou uma categorização vigente até hoje. Nas escolas que seguem a pedagogia Waldorf, as crianças agrupam-se espontaneamente em torno de interesses comuns. O que não quer dizer que seja tudo inteiramente livre. Nessas escolas, aprende-se por curiosidade. A necessidade de aprender a ler pode vir, por exemplo, da curiosidade de aprender a plantar.

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Hoje, pensando no artigo para este espaço, lembrei do apontador, do lápis, da borracha e de outros objetos que levávamos no estojo, no curso primário. No começo usávamos só o lápis. A caneta, com a pena que molhávamos no tinteiro, vinha só mais tarde. Acreditem ou não, antigamente as carteiras tinham um buraquinho onde se encaixava o tinteiro, onde se punha a tinta, onde se enchia a caneta ou se molhava a pena com que escrevíamos e, muitas vezes, manchávamos os dedos. Numa mão a caneta, na outra, o mata-borrão. O lápis e a caneta formavam um calo indelével no canto interno do dedo médio (mais conhecido como “pai de todos”). O meu está aqui até hoje.

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Há mais ou menos setenta anos, o piolho era uma ameaça terrível na vida das crianças. Quando se pegava piolho, a família toda ficava ocupada no engraçado esporte de caça a eles. E estes nunca vinham sozinhos: plantavam seus ovos nos fios de cabelo da vítima, os quais eram chamados de lêndeas, que eram os futuros piolhos. O nome é bonito, mas o filhote de piolho, não. Antes da Segunda Guerra Mundial, para combater este e outros insetos, só havia o Flit. Depois da guerra apareceu o DDT, um pesticida poderoso que hoje está banido em quase todo o mundo, inclusive no Brasil. Antes do Flit e do DDT, só mesmo a mão para matar o mosquito no tapa e o piolho entre as unhas dos polegares, assim como a pulga e o percevejo.

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Os hebreus sempre foram conhecidos como o “povo da escrita” e, dessa forma, levaram da Caldeia para o Egito toda a sua cultura. Lá permaneceram por muitos séculos até a travessia do Mar Vermelho, que os levou até o Monte Sinai. Organizaram o seu saber em regras que, futuramente, tomaram a forma da tábua dos Dez Mandamentos, que atravessaram mares, subiram montanhas, foram eternizados em pedras e até hoje os obedecemos. No Monte Sinai, nasceram não só os Dez Mandamentos, mas algo muito maior: a ideia de fazer com que regras possam atravessar os tempos por meio da escrita. Não se tratam de regras apenas para uma geração ou um povo – gravadas em pedra ou pergaminho, não apenas na mente, elas atravessaram os tempos. A ideia de permanência da cultura está associada diretamente à escrita.

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Dizer que é ruim misturar idades é vago. Tem criança de um ano que anda e criança de um ano meio que não anda. Tem criança que fala logo e criança que demora a aprender a falar. É complicado saber o que é bom ou ruim de misturar. Se no primeiro desenvolvimento infantil há diferenças que se notam claramente, mais tarde as mudanças de aptidão são mais lentas. É difícil determinar exatamente o que uma criança de 11 anos pode aprender e o que deveria aprender só aos 13 anos, mas não é uma questão muito complexa. Agora, se colocarmos em pé uma criança que ainda não tem os reflexos para ficar em pé, estamos cometendo uma violência.

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Tempos atrás, quando as calçadas eram públicas, acessíveis e seguras, as crianças podiam brincar fora de casa. Não podiam descer o meio-fio porque no meio da rua era perigoso, mas na calçada não era. Naquele tempo, tinha um campinho onde hoje está o Mercado da Lapa. Era onde eu e meus colegas brincávamos sem medo.

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