Quando o assunto é Bartolomeu Campos de Queirós a opinião é unânime: ler sua obra é envolver-se de imediato com a magia das palavras, é seduzir-se com a beleza e a musicalidade da prosa. Sua expressão promove abertura para regiões profundas da comunicação poética e consegue ser ao mesmo tempo, simples e densa. Quem ainda não conhece este importante escritor mineiro que conquistou o Brasil e o mundo com mais de 40 livros publicados deveria aproveitar a oportunidade. Em Curitiba, seus leitores e admiradores terão a chance de ver, pela primeira vez, a obra de Bartolomeu no palco. TEMPO DE VOO, da Cia ilimitada, estreia dia 07 de abril, quinta-feira, às 20h, no Teatro José Maria Santos. A temporada se estende até o dia 24, sempre de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. Às quintas-feiras, a entrada é gratuita para professores. 

A peça, cuja dramaturgia foi construída a partir de seis livros do autor, empresta o nome de um deles, Tempo de Voo, eleito pela Fundação Biblioteca Nacional como o melhor livro de Literatura Infantil e Juvenil do ano de 2009. Vermelho Amargo, Indez, Ciganos, Ah...mar! e Elefante, obras matizadas pelo viés autobiográfico do escritor, também foram fontes de inspiração para a construção do texto que aborda como tema memórias e sonhos, realidade e fantasia, infância e envelhecimento, vida e morte. Além de homenagear o escritor em seu “tempo de voo” a peça, numa atmosfera de sonho e poesia, interroga a vida, a passagem do tempo, os enigmas da existência e constrói um inventário sensível e universal da infância convidando o público para um mergulho na memória. Olhar para a própria infância torna-se inevitável. 

Tempo de Voo é feita de lirismos e imagens que permeiam um universo delicado, um mosaico com perfume de terra molhada, ora com gosto de arroz doce, ora salgado como o mar. Lembranças costuradas com sutileza e fantasia. Os atores estão o tempo todo em cena e ao contarem as histórias inventadas pelo escritor, quase sempre lembranças de menino do próprio Bartolomeu, misturam a elas suas próprias recordações. 

Com direção de Rafael Camargo, o elenco formado por Marcio Juliano, Nena Inoue, Glaucia Domingos e Pedro Inoue, ao entrar em contato com as histórias de Bartolomeu, revisitou e reinventou suas memórias, gerando também textos autorais. A montagem que vem sendo arquitetada há cerca de quatro anos resultou em um texto inédito voltado ao público adulto (classificação: 14 anos). 

“Embora tenha ficado conhecido como um expoente da literatura infantil, ao nos aprofundarmos em sua obra nos deparamos com densidades mais pertinentes ao mundo dos adultos. Com o olhar de criança ele nos entrega livros, na verdade, para gente amadurecida. Bartolomeu dizia que simplesmente escrevia, não gostava de literatura com destinatários, pois cada leitor absorve o texto conforme sua vivência”, revela Glaucia Domingos, empreendedora do projeto. “Ao entrar em contato com a obra do Bartô a identificação com a sua escrita amorosa foi imediata e a vontade de conhecer ainda mais o trabalho do escritor e difundi-lo tornou-se uma necessidade”, conta. 

“Infelizmente, Bartolomeu faleceu em 2012 durante a elaboração deste projeto. Mas, sua partida não foi motivo de desistência, pelo contrário, nos deixou ainda mais comprometidos com a proposta”, acrescenta o ator e produtor Marcio Juliano. Ele destaca que devido ao comprometimento do escritor com a educação e consequentemente sua estreita relação com os pedagogos, às quintas-feiras serão gratuitas para os professores. 

Rafael Camargo assina também, ao lado de Marcio Juliano e de Glaucia Domingos, a dramaturgia: “A obra de Bartolomeu propicia uma encenação plenamente contida e onírica que  conversa com a pesquisa que desenvolvo do teatro da inação há mais de uma década. A reinvenção de fatos, as diferentes camadas de tempo, texturas e temperaturas de momentos e lugares da memória propõem o jogo. A  espacialidade, os elementos de cenário e figurino, denotam e reforçam  a ideia do que está dentro da imobilidade. Em contrapartida o texto flui, as imagens se consolidam e o movimento existe dentro de quem vê. Neste lugar, que nos dá a impressão de estar  quase parado, misteriosamente, caminha-se infinitas  e magníficas distâncias”, explica o diretor.  

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS – ARTESÃO DA PALAVRA 

Bartô, como era conhecido pelos amigos, foi muito mais do que um escritor. Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG). Com mais de 40 livros publicados (alguns deles traduzidos para o inglês, o espanhol e o dinamarquês), formou-se em educação e artes, e criou-se como humanista. Idealizou o Movimento por um Brasil Literário, do qual participava ativamente. Memória e fantasia estão intimamente ligadas nas obras de Bartolomeu cuja prosa poética é a da mais alta qualidade. Usando o processo de metalinguagem para que o leitor possa se inserir em seus textos, o autor, sempre atento ao que está escondido dentro da palavra, instiga a imaginação, dando liberdade a várias leituras e permitindo ao leitor ir além. “Toda memória é ficcional. A fantasia é o que temos de mais real dentro de nós”, falava. 

Por suas realizações, colecionou medalhas: Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (França), Medalha Rosa Branca (Cuba), Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais). Recebeu, ainda, importantes premiações literárias como Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil/Juvenil pela APCA, Prêmio Jabuti, Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, Prêmio Academia Brasileira de Letras, Prêmio Cidade de Belo Horizonte, Selo de Ouro, Diploma de Honra da IBBY, de Londres, Quatrième Octagonal (França), Prêmio Nestlé de Literatura, IV Premio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil. Com o livro Indez, foi o vencedor do Concurso Internacional de Literatura Infanto-Juvenil (Brasil, Canadá, Suécia, Dinamarca e Noruega). 

Se foi no amanhecer de uma segunda-feira no dia 16 de janeiro de 2012, na cidade de Belo Horizonte. 

Este projeto é uma realização da Cia ilimitada e foi incentivado pela CAIXA CULTURAL e pela COPEL – Companhia Paranaense de Energia por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Em seus dois últimos trabalhos a Cia ilimitada esteve voltada para o universo musical: Noël - show cênico musical em homenagem a Noel Rosa e NO SAMBA, show multimídia com repertório da Época de Ouro. 

Serviço:

O quê: Peça Tempo de Voo

Quando: de 07 a 24 de abril de 2016 (Estreia dia 07/04, quinta, às 20h)

Que horas: de quinta a sábado, às 20h. aos domingos, às 19h.

Onde: Teatro José Maria Santos Endereço: Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco.

Telefone: 41 3324 8208

Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Classificação: 14 anos

Obs.: Gratuito para professores às quintas-feiras.

Fotos: Leandro Taques

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