O principal veículo do processo de conscientização do ser humano é o pensamento. O pensar confere aos homens “asas” para moverem-se no mundo e “raízes” para aprofundarem-se na realidade. No sentido amplo, o pensamento tem como missão tornar-se avaliador da realidade.

Segundo Descartes, “a essência do homem é pensar”. Ao pensar, ele naturalmente duvida, afirma, ignora, ama, odeia, quer e não quer, imagina e sente. O pensamento faz a grandeza ou a derrocada do homem. A grandeza decorre do pensar acertado, que avalia a multiplicação do real e se esforça para desenvolvê-lo atentamente, saboreando sua riqueza e diversidade. A grandeza do ser humano depende do quanto seu pensamento busca a verdade, enquanto que a pequenez humana decorre do pensamento obscuro, mesquinho, que desconhece o sabor da busca do saber.

Pensar permite aos seres humanos modelarem o mundo e, com isso, lidarem com ele de maneira efetiva e de acordo com suas metas, seus planos e seus desejos. Etimologicamente, pensar significa avaliar o peso de algo. O peso e a responsabilidade de nossos atos constituem ação resultante de nosso pensamento.

O ser humano é fundamentalmente um ser prático. Para fazer coisas, transformar a realidade, planeja, estabelece finalidades, define projetos e os executa. Ao verificar o resultado ou produto de sua intervenção na natureza ou na sociedade, ele avalia. Nesse sentido, a avaliação é um processo abrangente da existência humana, que implica reflexão crítica sobre a práxis humana. Ao verificar a eficácia do produto ou o resultado da ação, busca captar os avanços, os recuos, as resistências e as dificuldades da realidade para, em um balanço de acertos e erros, definir as possibilidades de tomar novas decisões sobre o que fazer para corrigir, melhorar ou superar as dificuldades.

Assim, a avaliação é uma exigência formal de alguns sistemas organizativos ou instituições de natureza educacional, profissional, empresarial etc. Tanto nas micro como nas macroestruturas sociais, a avaliação é o elemento fundamental do progresso social, compreendido como processo quantitativo e qualitativo do desenvolvimento humano. No sentido amplo, o conceito de avaliação está ligado ao conceito de mudança. Também é um processo de captação das necessidades com base no confronto entre a situação atual e a situação desejada, visando à intervenção na realidade para construir a aproximação entre ambas.

Dessa forma, tanto uma posição voluntarista, considerando que é uma questão de boa vontade, quanto uma posição determinista, considerando que o problema é estrutural e, por isso, impermeável à mudança, acabam em uma posição de imobilismo. Ao se compreender que é necessária a avaliação para descobrir as reais possibilidades de mudanças, rompe-se a barreira do imobilismo e da acomodação das circunstâncias.

Desnecessária se faz a ênfase maior sobre a necessidade da avaliação. Para o desenvolvimento acadêmico-científico de todos, pessoas e instituição, devemos buscar conhecer o cume de nosso potencial em cada uma das grandes áreas do conhecimento. A avaliação, portanto, deve ser entendida como um processo em que a construção ideal se dê com o desprendimento e a cooperação de todos. Cada uma das áreas deve buscar a melhor forma de captação de suas potencialidades, sem se esquecer da grande responsabilidade social a que estamos submetidos.

 

Autor: Julio Cezar Durigan é professor e reitor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)

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