Ensinar de acordo com o ritmo de cada estudante, respeitando-se as características individuais, além de valorizar o que o aluno sabe e a capacidade de aprender. Parece uma utopia? Pode até ser, mas precisamos nos lembrar de que cada pessoa tem um histórico, formado por sua estrutura biológica, psicológica, social e cultural. É assim em todo lugar e na escola não seria diferente.

Diante disso, é nos colégios que encontramos o grande desafio de elaborar um projeto de ensino que atenda a todos os alunos. E só quem trabalha em uma sala de aula sabe que estamos falando dos mais variados perfis: há os sensíveis, os pragmáticos, os mais competitivos, os mais colaborativos, os mais lentos, os mais rápidos, os que possuem lares desestruturados, os que têm família com laços sólidos, os alunos com necessidades especiais, os superdotados.

Por isso, acredito que, para conseguirmos atingir todos os estudantes, o Programa de Resposta à Intervenção (Response to Intervention), abreviado como RTI, pode ser uma solução viável. O RTI é uma proposta de intervenção usada nos Estados Unidos que consiste em fornecer assistência às crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. Por meio dele, que pode ser facilmente aplicado em qualquer colégio, é possível ajudar alunos a absorverem melhor o conteúdo. Ele é uma forma de inclusão que pode, inclusive, melhorar os índices de evasão escolar.

Por meio desse programa, conseguimos, de fato, oferecer as mesmas oportunidades para todos os estudantes, mas com estratégias diferenciadas e no ritmo de cada um. Claro que, como toda ação, essa precisa ser cautelosa e primar pela particularidade de cada colégio. Mas é, certamente, mais uma ferramenta em prol do ensino-aprendizagem.  Além disso, podemos utilizar a técnica no que diz respeito ao bullying e preconceito.

Muito se fala sobre a igualdade social, a igualdade de nossos direitos. De fato ela é um direito de todos. Deveríamos ter os mesmos direitos à saúde, educação, alimentação e cultura. Entretanto, o que percebemos é que, mesmo o direito à igualdade sendo tema recorrente, nos esquecemos do respeito às diferenças. Na verdade, somos todos diferentes. Cada indivíduo tem suas peculiaridades: raça, credo, visão política, valores e costumes. O respeito ao outro e às suas peculiaridades é fundamental, pois por meio dele temos a possibilidade de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.

Assim, cada vez mais devemos concentrar forças para a difícil tarefa de ofertar uma educação justa, de qualidade e que respeite as idiossincrasias de cada sujeito. Toda instituição de ensino é um espaço em que se encontra uma das maiores diversidades culturais e precisamos aproveitar isso para construirmos problematizações que nos levem ao estudo das diferenças e ao direito de igualdade social de todos. Até mesmo porque, no que diz respeito às pessoas, não há certo ou errado, melhor ou pior. É tudo uma questão de respeitar as diferenças. Só assim conseguimos afastar o fantasma do preconceito e formar jovens e, consequentemente, adultos mais tolerantes. E o diferente pode ser um belo desafio para os professores.

Autor: Torrance Lewis, professor de educação infantil do International School of Curitiba (ISC).

 

Artigo publicado na edição de março de 2015.

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