Escolher a escola para matricular um filho é uma das decisões mais importantes a ser tomada pelos pais. Quando a criança tem alguma deficiência intelectual, os adultos se deparam com uma dificuldade: definir se a matrícula será em uma escola regular – em que ela conviverá com colegas da mesma faixa etária –, ou em uma instituição específica, ou em uma escola regular que ofereça classe separada, na qual a criança estudará apenas com alunos que tenham algum tipo de deficiência. Crianças com qualquer deficiência têm direito de frequentar uma escola regular. Esse acesso é assegurado desde 2009, ano em que foi decretado no Brasil que tudo o que está escrito na Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, assinado em 2007 em Nova York, deve ser cumprido.

Cabe aos pais decidir se é melhor a criança frequentar uma sala de aula regular e, no período em que não estiver estudando, ter assistência especializada para o reforço, ou uma sala de aula especial para a aprendizagem das disciplinas clássicas, como Língua Portuguesa e Matemática. No segundo caso, a criança se reúne com os demais alunos da escola em alguns momentos, como nas aulas de Arte, Esportes e Música, e em outras atividades de caráter lúdico.

Claro que a decisão da família é soberana. No entanto, segregar a criança em uma sala especial, independentemente de qual deficiência ela tenha, é prejudicial ao seu desenvolvimento. Naturalmente essa criança terá mais dificuldade em realizar as tarefas, mas a convivência com todos e o enfrentamento de desafios cotidianos são essenciais para a aprendizagem. As crianças crescem convivendo na diversidade, que está em toda parte.

A escola é o lugar em que as pessoas aprendem a viver em sociedade. E todas são capazes de aprender, cada uma a seu tempo. Basta os educadores buscarem o melhor método para atender às mais variadas dificuldades, uma vez que cada aluno é único, com características próprias, com ou sem um tipo de deficiência. Para ajudar, os professores podem, por exemplo, variar a forma como apresentam os assuntos, ser mais flexíveis em relação ao tempo de ensino e às expectativas e traçar metas de aprendizagens individuais, sem subestimar ninguém. No contraturno, a escola pode, ainda, propor atividades em salas reservadas, com atendimento personalizado, para resolver problemas pontuais, como dificuldades de fala, escrita, interpretação e expressão.

O primeiro ponto a ser observado pelos pais é o ambiente escolar, ou seja, se eles se identificam com os professores, gostam do espaço físico e concordam com o projeto político-pedagógico. A escola não precisa ter experiências anteriores com alunos com deficiência. Os docentes aprendem a trabalhar com situações diferentes no momento em que elas passam a existir.

Quando uma criança com deficiência é deslocada para uma vida social à parte, sofre uma perda considerável. Nem família nem escola podem afastá-la do convívio geral, tanto dentro quanto fora de sala de aula. Essas crianças se tornarão jovens e adultos e devem aprender a cultivar amizades, a ter sonhos e a fazer planos.

 

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2015.

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