Ao longo da história da sociedade, desde a Antiguidade, as deficiências foram apresentadas de diversas formas. Os indivíduos que eram incluídos nesse grupo eram abandonados pela sociedade. Na Idade Média, com a ascensão do cristianismo, foram alvo de caridade, proteção e compaixão. Mesmo com todas as diferentes fases de aceitação e rejeição, as pessoas com deficiência visual não deixaram de procurar seu espaço na sociedade.

Atualmente, ouve-se falar muito em inclusão do deficiente visual no meio social, mas essa realidade não aconteceu de forma tão natural quanto parece. Existem dois termos que retratam bem a relação da pessoa com deficiência visual com a sociedade no passado e no presente: integração e inclusão. A integração pressupõe a adaptação do aluno à escola ou do sujeito à sociedade na qual está inserido. A inclusão parte do princípio de que a escola e a sociedade devem ser transformadas para adaptarem-se às necessidades de todos e de cada um. Como disse Louis Braille: “Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar outra forma”.

Graças à ação conjunta de educadores e missionários, o braille penetrou em todas as áreas, porque o objetivo principal era tornar as escrituras acessíveis aos cegos. Como era necessário uniformizar e padronizar a escrita braille em todo o mundo, em 1951, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) criou seu código internacional oficial da escrita em braille e fundou o Conselho Mundial de Braille. Louis Braille morreu em 1852, e somente dois anos depois é que seu talentoso trabalho foi oficialmente reconhecido.

Atualmente, softwares específicos para os deficientes visuais favorecem a inclusão. O MECDaisy é uma solução tecnológica que permite a produção de livros em formato digital acessível, no padrão Daisy. Trata-se de uma tecnologia que permite conjugar texto, áudio e imagens para representar conteúdos como livros, artigos etc. O software possibilita a criação de livros digitais falados e a sua reprodução em áudio, gravada ou sintetizada.

O NonVisual Desktop Access (NVDA – Acesso Não Visual ao Ambiente de Trabalho, em tradução literal para a língua portuguesa) é um software gratuito que pode ser baixado na própria internet. Ele lê e fala as informações que estão visíveis na tela do computador, o que o torna acessível às pessoas com deficiência visual. O deficiente visual utiliza apenas o teclado, seguindo as referências das teclas, conforme os princípios da datilografia e da digitação. É simples utilizá-lo: basta memorizar os comandos do Windows, pois são praticamente os mesmos.

São iniciativas como essas, por meio das quais são desenvolvidos sistemas e softwares destinados a facilitar a inserção dos deficientes visuais na sociedade, que irão efetivamente promover a inclusão destes. Afinal, incluir é muito mais que inserir, incluir é propiciar meios pelos quais as pessoas com deficiências descubram o mundo e se adaptem a ele.

Escolas

Contudo, a inclusão das pessoas com deficiência visual nas escolas ainda é um desafio para instituições, governos e docentes. Na educação básica, os 68 mil deficientes visuais representam apenas 0,13% dos 52,6 milhões de alunos matriculados em escolas públicas e particulares do País. No ensino superior, o contingente de 5,2 mil deficientes visuais simboliza somente 0,09% dos 5,8 milhões de universitários.

As pessoas com deficiência visual necessitam de um ambiente adaptado às suas condições e limitações. Precisam de materiais como livros em braille, audiolivros e outros que colaborem e facilitem o aprendizado e o avanço intelectual. Necessitam de professores capacitados e treinados, que sejam dinâmicos e aptos a realizarem a interação das pessoas normovisuais com as com deficiência visual, fazendo com que estas se sintam verdadeiramente participantes do meio.

Autoras: Ana Lima é mestre em Educação e professora da Faculdade Tecnológica de Educação do Estado do Rio de Janeiro (FaeteRJ-Paracambi). Jenifer Cristine Ferreira é tecnóloga em Sistemas de Informação e acadêmica da FaeteRJ-Paracambi.

 

Artigo publicado na edição de outubro de 2014.

 

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