Segundo o psicopedagogo clínico Cláudio Miranda, “cabe à escola o ensino de conteúdos acadêmicos que vão dar uma visão ao aluno de como o mundo funciona”. Analogamente, o ministrar de tais conteúdos cabe ao professor, cuja formação tem por objetivo desenvolver disciplinas, as quais integram a formação do educando. Para que seja um facilitador dessa formação, o professor deve propor a construção de ideias dentro dos limites impostos pela realidade do aluno, buscando elevar sua autoestima. Dessa forma, o aprendizado será alcançado plenamente.

Esse é o objetivo principal da escola, e os professores vêm trabalhando com maestria para atingi-lo. Tal pensamento é verdadeiro nas palavras de Anastesiou (2004), que afirma ser do professor as funções de provocar, instigar, elaborar uma ligação com o objeto de aprendizagem que, em algum estágio, consista com a carência do educando.

Essa ligação só ocorrerá em um momento propício, o qual tem como ingrediente especial a abertura à problematização e à discordância adequada dos procedimentos do pensamento crítico e do crescimento. A exemplo disso, escolas no interior do Espírito Santo relatam que desenvolvem projetos nos quais os grandes objetivos são elevar a autoestima do aluno e valorizar seu desenvolvimento e o que ele pensa. Para isso, pode-se utilizar da arte, da música, da culinária, do esporte, dentre outras instâncias que busquem atingir as multiculturas existentes no seio escolar, incitando bons resultados.

De acordo com Maurice Tardif, deve-se propor uma pedagogia que priorize a tecnologia de interação humana, colocando-se em evidência, ao mesmo tempo, a questão das dimensões epistemológica e ética, apoiada necessariamente em uma visão dualista de mundo: homem e sociedade. Ademais, a prática pedagógica deve ter dinâmica própria, que permita ao aluno o exercício do pensamento reflexivo e conduza à visão política de cidadania. Donald A. Schon destaca que “o professor deve fazer uso de um conjunto de processos que combinem o ensino da ciência aplicada com a instrução, no talento artístico da reflexão-ação, mobilizando, além da lógica, manifestações de talento, intuição e sensibilidade artística”.

Muitos colegas de profissão concordam que o professor, além de facilitador do ensino, é o incentivador da criação de ideias, da pesquisa, da observação, da experiência e provável referência, independentemente da classe em que se insira na sociedade. Aqui se aplica o ditado que diz: “O exemplo é a melhor forma de ensinar”. Também é seu dever ser responsável, assíduo, honesto na avaliação e na autoavaliação e disposto a fazer com que o educando participe de todos os processos envolvidos.

A não observância dessas atitudes provoca o mau desempenho dos estudantes em diferentes estágios de aprendizagem e, muitas vezes, ocasiona a evasão escolar pela não manutenção da autoestima. Tal fato também ocorre na esfera profissional, em que há a dificuldade de inserção do aluno no mercado, em razão da deficiência do agora profissional em certos conhecimentos básicos, os quais não foram bem absorvidos pela falta de uma metodologia inclusiva, comprometendo o desempenho.

Assim, com toda a comunidade (pais, alunos, educadores, vizinhos etc.) tendo maior participação na vida escolar, podem-se construir regras, aprimorar valores – inclusive os da própria família, como o incentivo à leitura –, chegando-se a uma conquista. Nesses moldes, a educação brasileira dará saltos estatísticos consideráveis, desmistificando o estigma de sua má qualidade.

 

Artigo publicado na edição de setembro de 2014.

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